O ano que agora finda foi sem dúvida um ano de má memória para os Valpacenses. O encerramento do Hospital de Nossa Senhora da Saúde, edifício construído com a esmola e o suor do povo, na primeira metade do século passado e posteriormente entregue à Santa Casa da Misericórdia de Valpaços para que o Estado dele não se apoderasse, constitui-se como a maior chaga social de que há memória no Concelho de Valpaços.
As consequências sociais e económicas deste trágico acontecimento estão à vista de todos. Os Valpacenses estão sem Hospital, a economia local debilitou-se ainda mais e 40 famílias foram atiradas para o desemprego.
Será unânime reconhecer que todo este processo foi mal conduzido e orientado. Muitos já terão entendido, que as coisas acabaram por correr muito mal e poderiam ter tido outro desfecho. Houve uma enorme precipitação, leviandade de procedimentos e de comportamentos. Estava em causa um bem com utilidade pública e não um negócio qualquer.
De consciência tranquila estarão os que de boa fé e coração aberto procuraram sanear o conflito e evitar uma tragédia há muito anunciada em que pelos vistos só não acreditava quem têm gerido a Santa Casa da Misericórdia de Valpaços.
O desfecho final, está portanto à vista. Se o problema estava na Empresa que o geria, esta acabou por sair, mas o Hospital acabou também por encerrar, por manifesta incapacidade e incompetência de quem no dia 6 de Janeiro, mediante via judicial, solicitou a sua posse e não conseguiu assegurar a gestão da unidade que se encontrava a funcionar normalmente. Fechou portas nas mãos de quem se predispunha a praticar preços sociais e prometia mundos e fundos, alimentando sucessivas inverdades ao longo de todo este processo, chegando mesmo a desrespeitar o poder político local.
O caro leitor, volte a ler esta notícia, publicada no JN, em Fevereiro do ano passado. (
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De todos os Hospitais que funcionavam em iguais circunstâncias, o Hospital de Valpaços foi o único que encerrou portas, conforme podemos observar na imprensa nacional. (
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A forma como lidaram com os trabalhadores é também algo verdadeiramente inacreditável, tendo em conta que estamos a falar de uma instituição que se deve reger por valores cristãos. Inicialmente solicitaram-nos por via judicial a 6 de Janeiro para continaurem a prestar serviços, considerando o normal funcionamento do Hospital. Pouco tempo depois, apenas desejam alguns e mais tarde, quando verficam que não têm capacidade para gerir o que estava a funcionar, descartam-nos por completo. Julgo que não será necessário recordar as sucessivas declarações publicadas na imprensa local e regional, sobre este assunto.
Apregoam a moral cristã e os valores éticos mais nobres que o homem pode ostentar, mas não se coíbem de contestar o que os Tribunais já por três (3) vezes decidiram favoravelmente, no que concerne aos Trabalhadores do Hospital.
Concluindo, não há crise onde não se encontre algo de bom. O Provedor está de malas feitas. É vítima dos seus próprios erros e por isso mesmo é dos poucos onde desaguou quase toda a responsabilidade por este desfecho. Por lá ficam quase todos os seus conselheiros, esses bons e misericordiosos homens, mesmo aqueles que nem necessitavam de um lugarzito insignificante, porque até têm agricultura e por lá se sentem muito bem.